Procurador que defendeu "ir na
jugular" contra Lula, Carlos Fernando dos Santos Lima disse que conversas
entre membros do MPF e o então juiz Sérgio Moro se davam
"diuturnamente"; "Questões procedimentais, exposição de pontos
de vista e explicação de futuros pedidos são comuns. Somos todos conhecidos,
não amigos, de mais de 20 anos. Não há nada de irregular nas conversas. Essa é
a prática judiciária", disse; apesar de tentar explicar os diálogos, em
seguida alerta para a hipótese de "essas conversas não tenham sido
editadas"
247
- O procurador aposentado Carlos
Fernando dos Santos Lima, que foi o decano da força-tarefa da Lava Jato,
classificou como "comuns" as conversas de membros do Ministério
Público Federal com o então juiz Sérgio Moro na construção da farsa jurídica
que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex do
Guarujá.
Em entrevista ao jornalista Fausto
Macêdo, publicada nesta segunda-feria, 17, no jornal O Estado de
S. Paulo, Santos Lima disse acreditar que a divulgação das
ilegalidades da Lava Jato pelo site The Intercept Brasil sejam parte de
"uma campanha orquestrada", com "objetivo claro de libertar
Lula.
Questionado pelo jornal se houve
relação ilegal entre o juiz da Lava Jato e a acusação, Santos Lima reagiu com
naturalidade. "Essa é uma discussão sem sentido. A relação entre juiz e
procuradores, juiz e delegados, juiz e advogados se dá diuturnamente. Questões
procedimentais, exposição de pontos de vista e explicação de futuros pedidos
são comuns. Somos todos conhecidos, não amigos, de mais de 20 anos. Não há nada
de irregular nas conversas. Essa é a prática judiciária. Observo, novamente,
que não se pode atestar que essas conversas não tenham sido editadas, motivo
pelo qual nada disso significa qualquer coisa relevante", diz ele em um
trecho da entrevista.
No trecho mais recente de conversas
divulgado pelo Intercept, Carlos dos Santos Lima aparece atendendo a um pedido
do então juiz Sérgio Moro para editarem uma nota atacando o ex-presidente Lula
e sua defesa na imprensa. Segundo os diálogos, o procurador defendeu "ir
direto na jugular" ao construir a falsa narrativa, comprada pela mídia, de
que Lula teria coloca a culpa de seu suposto crime na esposa falecida, Marisa
Letícia (leia mais no Brasil 247).

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