segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A Reconstrução do PC do B (pós 64) na cidade do Paulista.

Fotos:Arquivo Google

Antes de completar dois meses  que havia retornado de São Paulo e estava residindo  na cidade do Paulista, quando numa manhã de  1986,  em minha residência, na Rua Tabira, em Arthur Lundgren II, recebí a visita do então Deputado Estadual, Luciano Siqueira, do PMDB, acompanhado dos Camaradas Alanir Cardoso e Marcelino granja, que vieram convidar-me, para filiar-me ao PC DO B, e cumprir uma tarefa de filiar mais dezenove pessoas para reorganizar o Partido na cidade Operaria de Paulista e, formar a primeira Comissão Diretora Municipal Provisória, após o regime  Militar  deflagrado em 1964.


Dentro do prazo estabelecido cumprir a tarefa e a comissão executiva estadual nomeou a comissão Diretora Municipal do Partido na cidade do Paulista, composta pela minha pessoa na presidência,  e os camaradas  Maik Ferreira, metalúrgico, operário da fábrica Alcoa, residente no Engenho Maranguape; Norma Lucia Nascimento, desempregada, residente em Arthur Lundgren II; José Dias, ex-lateral esquerdo do Santa cruz  e operário metalúrgico, da fábrica bom bril, residente em Arthur Lundgren II; Marcia Cristina, operaria da fábrica bom bril, residente em Arthur Lundgren II; Feliciano Ribeiro, boleiro, comunitário de Maranguape I e Antonio Bezerra  (Toínho, de zal), vendedor da livro 7, residente em Arthur Lundgren II.



Deflagrada  a campanha eleitoral de 1986, arregimentamos  muitos  camaradas para levar adiante as candidaturas do Partido e  da chapa Majoritária encabeçada pelo Doutor Arraes, para Governador, Farias e Mansueto para senadores e a chapa proporcional formada por Luciano Siqueira, para Deputado Federal  e  Renildo Calheiros, para Deputado Estadual. Apesar de terem obtidos boa votação, não elegemos os nossos candidatos a Deputados, mas conquistamos uma grande vitória elegendo a chapa Majoritária e consagrando à volta triunfal do doutor Arraes, ao Palácio das Princesas, entrando pela porta que saiu deposto em 1964, pelo golpe militar.


Numa tarde chuvosa do mês de julho, de 1987,às 15 horas,  estava em minha residência tomando conta da casa e dos meus filhos, claudinha, com dois anos de idade e o Diógenes,  que havia completado um ano de idade. E a minha companheira na época, a Norma Lucia estava trabalhando num hotel em boa viagem, na cidade do Recife, e só retornaria às 21 horas,  quando  recebo mais uma vez em minha residência, a visita do Luciano Siqueira, acompanhado pelos camaradas Alanir Cardoso  e  Marcelino granja, vieram  convidar-me para fazer um curso na escola Nacional de formação política, teórica e ideológica dos militantes do PC do B, na cidade de São Paulo.


Na condição de militante revolucionário não poderia deixar de cumprir a missão, aceitei a tarefa e  escrevi um bilhete para a companheira  Norma Lucia,  e deixei meus dois filhos menores aos cuidados da vizinha  e   às 19 horas já me encontrava no TIP, Terminal integrado de Passageiros, a Rodoviária do Recife, onde a Camarada Tarciana Portela, me aguardava para repassar-me o bilhete da passagem do ônibus e uma quantia em espécie, para pagamento da taxa do curso,   e a minha manutenção durante quase trinta dias...Numa sexta-feira, à noite, por volta  das 21 horas, cheguei na casa da Rua Jaceguay, na capital do Estado de  São Paulo, onde funcionava  a formação dos militantes do PC do B, na  Escola Nacional de formação política, teórica e ideológica, sob à coordenação da camarada Eliana.



Militantes do  PC do B, de ambos os sexos, estudantes, operários, agricultores, e líderes comunitários oriundos de quase todos os estados do Brasil, no mês de julho, de 1987, compunham a turma J. Stálin, numa convivência solidária, coletiva, durante quase trinta dias de formação política, teórica e ideológica através da metodologia da escola integrada, no sistema socialista, onde os alunos absorvem  próximo aos cem por cento do aprendizado, podemos fazer a leitura, análises e debates sobre  quase  todas as obras clássicas, do pensamento filosófico, do avanço  da ciência e das transformações  históricas, políticas, econômicas e sociais ocorridas nos últimos séculos, destacando-se o estudo do Marxismo-Leninismo e das obras do Hegel e do Frederick Engels.


Nas eleições municipais de 1988, apoiamos a chapa majoritária formada pelo Engenheiro Roberto Rego, para Prefeito e Ivanildo Rodrigues, na vice, e para Vereador o partido indicou-me com a missão de  fortalecer  a legenda divulgando os ideais socialistas e arregimentando novos filiados.nas portas das fábricas têxteis, Hering, Tecanor, Santista, Aurora, e  malharia e nas fábricas da Bom bril, Springer e a fábrica das lâmpadas Ge. A chapa Majoritária colocou à nossa disposição uma Perua Kombi, panfletos e um Megafone  e o lanche para  10 militantes que nos acompanhavam a partir das 4 e 30 da manha até a entrada do turno noturno das fábricas ás 22 horas. Era, um grupo de militantes aguerridos sendo a  maioria residentes no engenho Maranguape,




Além dos  militantes que nos acompanhavam nas panfletagens nas portas das fábricas ( Cristina, Ana, Nair, Marcia Cristina, Mònica, Ivaldo Ferreira, Norma Lucia, Toinho, Moça, Kinho, Augusto Moraes  e  Heleno), outros companheiros e companheiras se integraram   à nossa campanha de forma voluntária e nos acompanhavam nas caminhadas e comícios da majoritária destacando-se entre eles (as)  o Toinho de zal, o Giores, da compesa; o casal Durval e Numerina; O Ângelo, ex- atleta profissional do santa cruz; A Simone e a Sivania, filhas do  Moreira; O sapateiro Anildo Lima. O Operario Textil Lamatine Oliveira; O engenheiro Químico, Helvio, da Bom Bril, o Hebeton Martins, o Engenheiro e membro da Executiva Estadual, Marcelo Medeiros  e outros...Foi uma campanha muito participativa  e envolvente e quando faltavam duas semanas para o dia  do  pleito, o Candidato a Prefeito Roberto Rego, repassou-me uma quantia em espécie e comunicou-me que a Majoritária havia realizado pesquisas e o meu  nome figurava entre os dez candidatos que poderiam ser eleitos e por este motivo deveria receber uma ajuda especial para garantir a minha eleição.

Alguns dias  depois, fui informado que a ajuda  que seria repassada para garantir a minha eleição teria sido desviada para outro candidato da Mirueira, com a finalidade de tirar votos e impedir a reeleição  do Vereador Antonio Teodósio, ferrenho opositor e desafeto político do Prefeito Dr. Geraldo  Pinho Alves... Ao final  da apuração o Vereador Antonio Teodósio, não conseguir reeleger-se, o outro candidato apoiado  pelo Dr. Geraldo  foi eleito e eu fiquei numa suplência muito distante... Coisas da política...


Após a campanha eleitoral  definimos como  prioridade  à construção do Partido através da organização de várias bases onde conseguimos arregimentar  filiados nas comunidades, nas fábricas e na Prefeitura do Paulista, onde a companheira  Soninha (Sônia Gomes) juntamente com o Mauro do Espirito Santo articularam a fundação do Sindicato dos Servidores Municipais do Paulista – Sissempa, porem, para evitar perseguições  e retaliações da equipe do Prefeito Ademir Cunha, decidimos que a Sônia ficaria trabalhando  nos “bastidores” e escolhemos outro servidor para presidente do Sissempa. Neste período o PC do B, esteve á frente de todas as lutas assumindo o seu papel de vanguarda  da classe  trabalhadora!


 Escrito por Cláudio Lima

Café com Claudinha - Recordações de 40 anos de  militancia






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