Fotos:Arquivo Google
Antes de completar dois meses que havia retornado de São Paulo e estava residindo na cidade do Paulista, quando numa manhã de 1986, em minha residência, na Rua Tabira, em Arthur Lundgren II, recebí a visita do então Deputado Estadual, Luciano Siqueira, do PMDB, acompanhado dos Camaradas Alanir Cardoso e Marcelino granja, que vieram convidar-me, para filiar-me ao PC DO B, e cumprir uma tarefa de filiar mais dezenove pessoas para reorganizar o Partido na cidade Operaria de Paulista e, formar a primeira Comissão Diretora Municipal Provisória, após o regime Militar deflagrado em 1964.
Dentro do prazo estabelecido cumprir a tarefa e a comissão
executiva estadual nomeou a comissão Diretora Municipal do Partido na cidade do
Paulista, composta pela minha pessoa na presidência, e os camaradas Maik Ferreira, metalúrgico, operário da fábrica
Alcoa, residente no Engenho Maranguape; Norma Lucia Nascimento, desempregada,
residente em Arthur Lundgren II; José Dias, ex-lateral esquerdo do Santa
cruz e operário metalúrgico, da fábrica
bom bril, residente em Arthur Lundgren II; Marcia Cristina, operaria da fábrica
bom bril, residente em Arthur Lundgren II; Feliciano Ribeiro, boleiro,
comunitário de Maranguape I e Antonio Bezerra
(Toínho, de zal), vendedor da livro 7, residente em Arthur Lundgren II.

Deflagrada a campanha
eleitoral de 1986, arregimentamos
muitos camaradas para levar
adiante as candidaturas do Partido e da
chapa Majoritária encabeçada pelo Doutor Arraes, para Governador, Farias e
Mansueto para senadores e a chapa proporcional formada por Luciano Siqueira,
para Deputado Federal e Renildo Calheiros, para Deputado Estadual. Apesar
de terem obtidos boa votação, não elegemos os nossos candidatos a Deputados,
mas conquistamos uma grande vitória elegendo a chapa Majoritária e consagrando
à volta triunfal do doutor Arraes, ao Palácio das Princesas, entrando pela
porta que saiu deposto em 1964, pelo golpe militar.
Numa tarde chuvosa do mês de julho, de 1987,às 15 horas, estava em minha
residência tomando conta da casa e dos meus filhos, claudinha, com dois anos de
idade e o Diógenes, que havia completado
um ano de idade. E a minha companheira na época, a Norma Lucia estava trabalhando
num hotel em boa viagem, na cidade do Recife, e só retornaria às 21 horas, quando recebo mais uma vez em minha residência, a
visita do Luciano Siqueira, acompanhado pelos camaradas Alanir Cardoso e
Marcelino granja, vieram
convidar-me para fazer um curso na escola Nacional de formação política, teórica e
ideológica dos militantes do PC do B, na cidade de São Paulo.
Na condição de militante revolucionário não poderia deixar de
cumprir a missão, aceitei a tarefa e escrevi um bilhete para a companheira Norma Lucia, e deixei meus dois filhos menores aos cuidados
da vizinha e às 19 horas já me encontrava no TIP,
Terminal integrado de Passageiros, a Rodoviária do Recife, onde a Camarada
Tarciana Portela, me aguardava para repassar-me o bilhete da passagem do ônibus
e uma quantia em espécie, para pagamento da taxa do curso, e a minha manutenção durante quase trinta
dias...
Militantes do PC do B,
de ambos os sexos, estudantes, operários, agricultores, e líderes comunitários oriundos
de quase todos os estados do Brasil, no mês de julho, de 1987, compunham a
turma J. Stálin, numa convivência solidária, coletiva, durante quase trinta dias de
formação política, teórica e ideológica através da metodologia da escola
integrada, no sistema socialista, onde os alunos absorvem próximo aos cem por cento do aprendizado,
podemos fazer a leitura, análises e debates sobre quase
todas as obras clássicas, do pensamento filosófico, do avanço da ciência e das transformações
históricas, políticas, econômicas e sociais ocorridas nos últimos séculos,
destacando-se o estudo do Marxismo-Leninismo e das obras do Hegel e do
Frederick Engels.
Nas eleições municipais de 1988, apoiamos a chapa majoritária
formada pelo Engenheiro Roberto Rego, para Prefeito e Ivanildo Rodrigues, na
vice, e para Vereador o partido indicou-me com a missão de fortalecer a legenda divulgando os ideais socialistas e
arregimentando novos filiados.nas portas das fábricas têxteis, Hering, Tecanor, Santista,
Aurora, e malharia e nas fábricas da Bom
bril, Springer e a fábrica das lâmpadas Ge. A chapa Majoritária colocou à nossa
disposição uma Perua Kombi, panfletos e um Megafone e o lanche para 10 militantes que nos acompanhavam a partir
das 4 e 30 da manha até a entrada do turno noturno das fábricas ás 22 horas.
Era, um grupo de militantes aguerridos sendo a
maioria residentes no engenho Maranguape,
Além dos militantes
que nos acompanhavam nas panfletagens nas portas das fábricas ( Cristina, Ana,
Nair, Marcia Cristina, Mònica, Ivaldo Ferreira, Norma Lucia, Toinho, Moça,
Kinho, Augusto Moraes e Heleno), outros companheiros e companheiras
se integraram à nossa campanha de forma
voluntária e nos acompanhavam nas caminhadas e comícios da majoritária
destacando-se entre eles (as) o Toinho
de zal, o Giores, da compesa; o casal Durval e Numerina; O Ângelo, ex- atleta
profissional do santa cruz; A Simone e a Sivania, filhas do Moreira; O sapateiro Anildo Lima. O Operario
Textil Lamatine Oliveira; O engenheiro Químico, Helvio, da Bom Bril, o Hebeton
Martins, o Engenheiro e membro da Executiva Estadual, Marcelo Medeiros e outros...Foi uma campanha
muito participativa e envolvente e
quando faltavam duas semanas para o dia
do pleito, o Candidato a Prefeito
Roberto Rego, repassou-me uma quantia em espécie e comunicou-me que a
Majoritária havia realizado pesquisas e o meu
nome figurava entre os dez candidatos que poderiam ser eleitos e por
este motivo deveria receber uma ajuda especial para garantir a minha eleição.
Alguns dias depois,
fui informado que a ajuda que seria
repassada para garantir a minha eleição teria sido desviada para outro
candidato da Mirueira, com a finalidade de tirar votos e impedir a reeleição do Vereador Antonio Teodósio, ferrenho
opositor e desafeto político do Prefeito Dr. Geraldo Pinho Alves... Ao final da apuração o Vereador Antonio Teodósio, não
conseguir reeleger-se, o outro candidato apoiado pelo Dr. Geraldo foi eleito e eu fiquei numa suplência muito
distante... Coisas da política...
Após a campanha eleitoral
definimos como prioridade à construção do Partido através da
organização de várias bases onde conseguimos arregimentar filiados nas comunidades, nas fábricas e na
Prefeitura do Paulista, onde a companheira
Soninha (Sônia Gomes) juntamente com o Mauro do Espirito Santo
articularam a fundação do Sindicato dos Servidores Municipais do Paulista –
Sissempa, porem, para evitar perseguições
e retaliações da equipe do Prefeito Ademir Cunha, decidimos que a Sônia
ficaria trabalhando nos “bastidores” e escolhemos
outro servidor para presidente do Sissempa. Neste período o PC do B, esteve á
frente de todas as lutas assumindo o seu papel de vanguarda da classe
trabalhadora!
Escrito por Cláudio Lima
Café com Claudinha - Recordações de 40 anos de militancia


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